Técnico ajustando uma antena de rádio no topo de um prédio corporativo em Campinas.
Conectividade

Link de backup via rádio: por que fibra no mesmo duto falha em Campinas

Equipe Lepitel

Engenharia de Redes Corporativas

12 de outubro de 20266 min de leitura

Contratar dois contratos de fibra óptica com operadoras diferentes raramente entrega alta disponibilidade real quando ambos os cabos compartilham a mesma infraestrutura de entrada.

TL;DR:
  • Operadoras concorrentes frequentemente compartilham os mesmos postes, dutos subterrâneos e caixas de passagem na última milha urbana.
  • Um link de backup via rádio elimina o ponto único de falha físico ao utilizar o espectro aéreo como meio de transmissão independente.
  • Rádios corporativos modernos operam com latência entre 2 ms e 4 ms até o ponto de troca de tráfego (PTT), com throughput simétrico garantido.
  • O failover automático via protocolo BGP com BFD reduz o tempo de chaveamento entre fibra e rádio para menos de 800 milissegundos.

A armadilha do duto compartilhado: falsa redundância na última milha

Muitos gerentes de TI acreditam que contratar operadoras distintas resolve a tolerância a falhas do link principal. No papel, o desenho parece perfeito: dois contratos, dois Sistemas Autônomos (AS) e duas rotas lógicas. Na prática da infraestrutura civil em Campinas, a realidade costuma ser dura. Os dois provedores utilizam os mesmos postes da concessionária de energia ou entram no prédio pelo mesmo duto subterrâneo de telecomunicações.

Se uma retroescavadeira rompe a tubulação na Avenida Prestes Maia ou um caminhão arranca a fiação aérea no distrito de Barão Geraldo, os dois circuitos caem no mesmo instante. A equipe técnica enfrenta um apagão completo, mesmo pagando duas faturas mensais. Para entender critérios profundos de seleção de provedores na região, vale analisar A Escolha Certa: Provedor IP Dedicado em Campinas para Empresas de Missão Crítica.

Diversidade física real exige meios de transmissão descorrelacionados. Isso significa que a rota secundária não pode depender de cabos na rua, caixas subterrâneas de calçada ou postes compartilhados com redes elétricas.


Engenharia da abordagem aérea: como dimensionar o link de backup via rádio

Projetar um enlace de rádio ponto a ponto para contingência corporativa exige rigor de engenharia de radiofrequência. Não se trata de uma conexão sem fio residencial. A Lepitel projeta abordagens via rádio utilizando frequências que garantem estabilidade operacional em qualquer condição climática.

O primeiro passo envolve o estudo de visada direta entre a torre de transmissão e a edificação do cliente. A chamada primeira Zona de Fresnel (área elíptica em torno do feixe de sinal) precisa estar pelo menos 60% desobstruída de prédios vizinhos, copas de árvores ou morros. Qualquer obstrução introduz perdas de difração e atenuação severa.

A verdadeira diversidade de última milha só existe quando a rota de backup não compartilha postes, tubulações subterrâneas ou entradas físicas com o link principal.

Em Campinas e na Região Metropolitana, as chuvas intensas de verão exigem atenção redobrada à margem de desvanecimento. Um projeto robusto dimensiona a potência dos rádios e o ganho das antenas com margem mínima de 25 dB a 30 dB. Essa folga garante disponibilidade de 99,95% no ano, mantendo o tráfego estável sob chuva torrencial.

O resultado é a entrega de um link dedicado simétrico via ar, com banda 100% garantida (CIR de 1:1, sigla para Taxa de Informação Comprometida) e latência inferior a 4 ms até os principais pontos de interconexão.


Failover dinâmico: chaveando tráfego sem derrubar a operação

Ter a antena instalada e o link ativo no rack não encerra o projeto. O enlace aéreo precisa assumir as cargas de trabalho sem que a sessão dos usuários caia ou que o ERP perca a conexão com o banco de dados. Para alcançar esse comportamento, a topologia deve rodar roteamento dinâmico via protocolo BGP (Border Gateway Protocol).

O BGP anuncia os mesmos blocos de IP público do cliente tanto pela fibra primária quanto pelo rádio de contingência. Ajustando métricas de caminho (como o atributo AS-Path Prepend ou Local Preference), o tráfego prioritário desce pela fibra óptica, mantendo o rádio em standby operacional.

Para mitigar os tempos normais de convergência do BGP (que podem levar até 90 segundos sem ajustes finos), aplicamos o protocolo BFD (Detecção de Encaminhamento Bidirecional). O BFD monitora a integridade da rota a cada 100 milissegundos. Se a fibra romper, a falha é detectada em menos de meio segundo e os pacotes são desviados para o canal de rádio sem interromper chamadas de voz ou sessões VPN.

Tratamos detalhes avançados dessa integração no artigo sobre Redundância de Link com Roteamento BGP Próprio: Autonomia e Failover para Operações Críticas.


Requisitos de infraestrutura física no topo do edifício

Para implantar uma contingência aérea sem surpresas na entrega, o time de infraestrutura do cliente precisa planejar três itens essenciais no topo do imóvel:

  • Mastro ou suporte autoportante: estrutura tubular fixada em platibanda ou laje técnica com cálculo estático para suportar ventos de até 120 km/h.
  • Aterramento e SPDA: conexão direta da blindagem do equipamento à malha de proteção contra descargas atmosféricas do edifício.
  • Caminhamento blindado: descida de cabo de rede blindado de categoria externa (CAT6 STP) até a sala do data center ou rack de telecomunicações.

Em plantas corporativas distantes dos centros urbanos, a combinação de tecnologias a cabo com rádio resolve gargalos que a infraestrutura pública não atende, conforme explorado em Link Dedicado e Rádio: Contingência Híbrida para Filiais.

Perguntas frequentes

Chuva forte derruba o link de backup via rádio?

Não, desde que o enlace seja calculado com margem de desvanecimento de 25 dB a 30 dB. Em frequências adequadas e distâncias bem projetadas, a atenuação por chuva não causa queda do sinal nem perda de pacotes.

A latência do rádio corporativo é próxima da fibra óptica?

Sim. Em distâncias urbanas de até 15 km, a latência de um rádio ponto a ponto fica entre 2 ms e 4 ms, o que é plenamente compatível com tráfego sensível como telefonia SIP e replicação de servidores.

Preciso ter bloco de IP próprio (ASN) para usar rádio de backup?

Não é obrigatório. Quando a empresa possui ASN próprio, usamos BGP nativo. Caso não possua, o provedor pode fornecer blocos de IP roteados entre ambos os acessos ou configurar failover via túneis GRE e SD-WAN.

Qual a diferença entre rádio corporativo e internet a rádio comum?

O rádio corporativo opera em enlace dedicado ponto a ponto com largura de banda 100% garantida (CIR 1:1), sem compartilhamento de antena com outros assinantes e com acordo de nível de serviço (SLA) de disponibilidade e tempo de reparo.

A Lepitel projeta e implementa soluções de contingência física com fibra e rádio dedicado para empresas em Campinas e região. Se a sua operação precisa eliminar pontos únicos de falha na conectividade, converse com nossa equipe pelo canal de contato.

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